SEM VAGAS – PM/RO promove oficiais e praças ficam de fora mais uma vez

A recente publicação no Diário Oficial do Estado de Rondônia escancarou uma realidade que há tempos incomoda a base da segurança pública: enquanto o quadro de oficiais segue avançando, os praças permanecem praticamente estagnados.
Na lista de promoções divulgada pelo governo, foram contemplados 24 aspirantes a oficial da Polícia Militar, além de dois capitães do Corpo de Bombeiros promovidos a Major. Do lado dos praças, apenas uma promoção foi registrada, a de um sargento, pertencente à banda de música da PM.
O contraste evidencia um problema estrutural que vem sendo apontado há anos pela categoria: a falta de vagas no chamado Quadro Organizacional (QO), que, segundo o próprio governo, já está “fechado”. Na prática, isso impede que cabos, sargentos e outros praças, muitos deles aguardando há longos períodos, consigam ascender na carreira.
Diante desse cenário, a Associação dos Praças da Polícia Militar do Estado de Rondônia (ASSFAPOM) intensifica a luta pela redistribuição do QO, medida considerada essencial para destravar promoções. Sem essa reorganização, o caminho para progressão funcional permanece bloqueado.

O presidente da entidade, Jesuíno Boabaid, reforça que a busca por essa mudança segue dentro da legalidade e do diálogo institucional. Segundo ele, o objetivo é garantir uma reestruturação justa e viável, que permita a abertura de vagas para os praças.
No entanto, também aponta que existem entraves políticos no processo. De acordo com a entidade, há setores que, mesmo se apresentando como representantes da categoria, acabam dificultando avanços por interesses eleitorais.
“A responsabilidade é a pauta do nosso trabalho ao longo desses anos, jamais utilizamos as pautas da coorporação de forma irresponsável, egoísta e sem compromisso com a verdade. Estamos otimistas que dessa maneira os trabalhos irão avançar e os praças serão reconhecidos em suas carreiras”, faloui.
Sem representação direta na Assembleia Legislativa, tanto a Polícia Militar quanto o Corpo de Bombeiros acabam ficando dependentes de articulações conduzidas por parlamentares ligados a outras categorias, o que fragiliza a pauta dos praças. Nesse contexto, a ASSFAPOM ganha protagonismo como principal voz organizada da base, sendo reconhecida por sua atuação consistente, jurídica e responsável na conquista de direitos ao longo dos anos.
O cenário também levanta um alerta interno sobre a importância da união da categoria, um exemplo recente vem da Polícia Civil, que conseguiu avanços significativos após articulação conjunta e alinhamento de interesses, para os praças da PM e dos Bombeiros, a leitura é clara, sem coesão, dificilmente haverá conquistas estruturais.
Com isso, 2026 pode representar a última janela de oportunidade para que as promoções avancem, desde que a redistribuição do QO seja efetivada. A construção de uma representação legítima no Legislativo, a partir de 2027, aparece como um passo estratégico para que os próprios policiais tenham voz ativa nas decisões que impactam diretamente suas carreiras.



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