POR DEZ ANOS – UHE Santo Antônio despreza clamor de reassentados

Na última sexta-feira (10), uma visita ao reassentamento Santa Rita, localizado a cerca de 60 quilômetros de Porto Velho, na BR sentido Rio Branco, revelou uma realidade que ainda preocupa dezenas de famílias de produtores rurais da região: a falta de regularização documental das propriedades onde vivem e produzem há mais de uma década.
O reassentamento foi criado após a construção da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, empreendimento que deslocou comunidades inteiras que viviam às margens do Rio Madeira, como a antiga comunidade Joana D’Arc.
Hoje, no Santa Rita, a produção rural segue ativa. Pequenos agricultores cultivam café, laranja, limão e outros produtos que abastecem parte do mercado local. No entanto, por trás da rotina de trabalho no campo, há um problema que persiste desde o reassentamento: a ausência de documentos definitivos das terras.
Foi durante a colheita de café que o produtor rural Arthur Raposo desabafou sobre a situação. Segundo ele, mesmo após mais de dez anos vivendo na propriedade, ainda não possui a documentação oficial do terreno.

“Isso dá medo. A gente trabalha, investe, planta, mas não tem a segurança de que a terra é realmente nossa no papel”, afirmou.
Arthur relata que já buscou diversas vezes contato com a administração da hidrelétrica responsável pelo reassentamento, mas não obteve respostas efetivas. A falta de retorno, segundo ele, aumenta a sensação de abandono por parte das famílias que dependem da terra para sobreviver.
“Procuramos, pedimos, tentamos diálogo, mas não somos escutados. O que a gente quer é dignidade, é ter o documento da nossa terra”, disse.
A insegurança jurídica impacta diretamente a vida dos produtores. Sem a regularização fundiária, muitos enfrentam dificuldades para acessar crédito rural, investir na propriedade ou até mesmo garantir direitos básicos relacionados à posse da terra.
A situação levanta questionamentos sobre o cumprimento das obrigações assumidas no processo de reassentamento das famílias afetadas pela construção da hidrelétrica. Para os moradores, a entrega definitiva dos documentos não é apenas uma formalidade, mas uma questão de justiça e reconhecimento.
Arthur Raposo faz um apelo direto:
“Que a usina olhe para a gente. Que resolva isso de uma vez por todas. A gente só quer o que é nosso por direito.”
Enquanto a produção segue no campo, a esperança dos moradores do reassentamento Santa Rita continua sendo a de, enfim, conquistar a segurança jurídica que falta — e transformar anos de espera em um capítulo resolvido de suas histórias.



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