DE PIRES NA MÃO – Produção de leite em RO sobrevive à base de emendas

De pires na mão. É assim que muitos produtores de leite em Rondônia descrevem a própria realidade. Um dos setores mais tradicionais do campo rondoniense enfrenta uma crise silenciosa, marcada pela queda constante no preço pago pelo litro de leite e pela falta de rentabilidade para quem está na ponta da produção.
Há dois ou três anos, o cenário era diferente. O valor pago pelos laticínios permitia ao produtor ao menos cobrir custos e manter a atividade com alguma previsibilidade. Hoje, a realidade é outra: preços mais baixos, custos elevados e margens praticamente inexistentes.
A situação se agrava com a entrada de leite em pó importado, especialmente da Argentina, que chega ao estado, é reprocessado e inserido no mercado local. Enquanto isso, o produtor rondoniense vê seu produto perder valor e espaço, sem conseguir competir em igualdade.
Na prática, muitos produtores continuam trabalhando no limite, apenas para não abandonar uma atividade que sustenta famílias há décadas. A redução da produção já é uma consequência visível, reflexo direto da falta de estímulo econômico.
Diante desse cenário, o setor passou a depender fortemente de emendas parlamentares. Recursos destinados por deputados federais, estaduais e senadores se tornaram essenciais para garantir desde investimentos básicos até a própria continuidade da produção.

O senador Jaime Bagatoli (PL), reconheceu essa atual dependência do setor durante uma entrega de uma pá carregadeira adiquirida por uma emenda sua.
“Sabemos a grande dificuldade que os produtores estão tendo nesta questão do leite, o preço defasado que nós temos, então cabe aos parlamentares ajudarem nessa questão através das emendas”, disse.
Sem esse suporte político e financeiro, a avaliação de quem vive o dia a dia do campo é direta: grande parte dos produtores já teria encerrado as atividades. A cadeia do leite, que já foi mais forte, estaria hoje em colapso no estado.
O que se vê, portanto, é um setor que resiste não pela força do mercado, mas pela intervenção constante do poder público. Em Rondônia, o leite ainda não quebrou — mas segue sobrevivendo, cada vez mais, à base de apoio emergencial.



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