ANÁLISE – Lula e Flávio Bolsonaro: dois embusteiros em busca de atenção
Por: Ricardo Kertzman
É a segunda eleição presidencial capturada pela mediocridade extrema. Ou a terceira, vá lá. Tentei poupar o pleito entre Haddad e Bolsonaro, em 2018, já que, a despeito dos candidatos e da mediocridade de então – um inepto de pai e mãe contra o poste de um presidiário -, ainda havia algo em disputa: a continuidade da cleptocracia petista, conforme adjetivou Gilmar Mendes o governo do PT (nà`época que isso o interessava), contra a possibilidade, mesmo que remota, de alguma mudança positiva.
Em 2022, restou-nos escolher entre um ex-condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, solto e habilitado politicamente após manobras jurídicas na Suprema Corte, ou um negacionista golpista tresloucado, que ora ameaçava fuzilamento de petistas, ora mentia sobre vacinas, ora zombava dos mortos pela covid-19, ora pregava fechamento do Congresso e do STF, ora atacava a imprensa, enfim, uma “besta do apocalipse” dos sonhos de qualquer oposição, por mais fraca e frágil politicamente que fosse.
Mais oito anos perdidos depois, chegamos no mesmíssimo cenário. Ou continuamos com a hecatombe socioeconômica lulopetista, incapaz de nos levar adiante, sempre cavando mais fundo o poço do atraso, da corrupção e da irresponsabilidade fiscal, ou trocamos Bolsonaro pai por Bolsonaro filho, herdeiro legítimo do clã das rachadinhas e das amizades com milicianos e afins, outra “besta do apocalipse” – com agravantes inéditos: Daniel Vorcaro, Dudu Bananinha, Michelle Bolsonaro e sabe-se lá mais o quê.
Déjà Vu
Se, antes, o diversionismo eleitoral orbitava em torno de Lava Jato, Petrolão, vacina, cloroquina, banheiro unissex, bíblia em sala de aula e outros temas tão relevantes para o futuro do país quanto meu café da manhã, com Jair na tranca e Lula “limpinho”, o debate agora é em torno da alopragem mafiosa transnacional do laranjão americano, atualmente lotado na Casa Branca, Donald Trump. Se Lula finge querer – e poder – combater o gangsterismo trumpista, Flávio, veladamente, o abraça com fé.
Ambos invocam soberania, patriotismo, defesa territorial, combate ao crime organizado e ao tráfico internacional de drogas, balança comercial etc., cada um a seu modo e interesse, mas sem qualquer verdade ou boa intenção. Se algo une o bolsopetismo são a dissimulação e investimento em polarização. Afinal, um se alimenta das falhas e do ódio pelo outro. No meio, a patuleia distraída, cúmplice de um embate falso que impede qualquer chance de alternativa eleitoral senão o “mais do mesmo”.
Lula finge que ataca Trump. Flávio finge que é amigo de Trump. Ambos fingem que defendem o Brasil. E sem fingimento, o eleitor adere cegamente a um lado, fingindo que vota no que há de melhor. E entre tantos fingimentos, fingimos que o Brasil é uma democracia – e tudo bem! Até porque, tem gente fingindo que está interessado em política quando, na verdade, só quer mesmo lacrar na internet e xingar alguém que nem mesmo conhece. Afinal, como ensinou Cazuza, “O nosso amor a gente inventa, pra se distrair”.



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