CORRIDA AO SENADO – Discurso “morde e assopra” pode atrapalhar Fernando Máximo

Apresentado inicialmente ao eleitor rondoniense como um político de perfil moderado, o deputado federal Fernando Máximo pode enfrentar dificuldades na corrida eleitoral de 2026 ao insistir em um discurso considerado contraditório por aliados e adversários políticos.
A postura do parlamentar, frequentemente classificada nos bastidores como “morde e assopra”, tem gerado desgaste principalmente entre eleitores mais ideológicos, tanto da direita quanto da esquerda, justamente em um momento em que a polarização política segue forte em Rondônia.
Durante o período em que comandou a Secretaria de Estado da Saúde, em meio à pandemia da Covid-19, Fernando Máximo adotou uma linha dura na defesa das medidas restritivas. À época, apoiou decretos de lockdown, fechamento do comércio, restrição de circulação e isolamento social. As medidas desagradaram setores conservadores e trabalhadores que criticavam os impactos econômicos das restrições.
Ao mesmo tempo, o hoje deputado evitava se posicionar de maneira definitiva sobre temas sensíveis ligados ao debate ideológico nacional. O comportamento acabou criando uma imagem de ambiguidade política, principalmente entre eleitores alinhados ao bolsonarismo raiz.
A mesma postura voltou a aparecer em uma entrevista recente concedida ao jornalista Robson Olveira envolvendo o garimpo no Rio Madeira. Fernando Máximo reconhece a existência de impactos ambientais e admite riscos relacionados ao mercúrio, mas evita endurecer o discurso contra a atividade garimpeira, defendendo ao mesmo tempo cautela nas críticas ao setor.
Nos bastidores políticos, adversários avaliam que essa estratégia busca manter diálogo com diferentes grupos do eleitorado, tentando preservar votos tanto de conservadores quanto de eleitores moderados. O problema é que o movimento pode acabar gerando desconfiança dos dois lados.
Mesmo após deixar o União Brasil e migrar para o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, Fernando Máximo segue evitando posições mais incisivas em temas que dominam o debate político nacional.
Para analistas políticos, o cenário pode se transformar em um risco para o projeto do parlamentar ao Senado Federal. Em uma eleição cada vez mais ideológica, o discurso moderado demais pode acabar sendo interpretado como falta de posicionamento claro.



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